segunda-feira, 3 de agosto de 2015

AS CINCO PEDRAS DE DAVI - I SAMUEL 17:40


AS CINCO PEDRAS DE DAVI

INTRODUÇÃO

- Davi é o símbolo bíblico do bom estadista, o “homem segundo o coração de D-us”, que, quando jovem ainda, derrotou Golias, símbolo das forças opressoras do mal. E fê-lo apenas com cinco pedras, uma funda, e a espada do inimigo. O inimigo, um homem filisteu de 2,80 metros de altura, com uma couraça de sessenta quilos, protegido de capacete e escudo de bronze, e portador de uma lança cuja ponta pesava sete quilos. Golias era um gigante, descendentes dos antigos nefhilins, que amedrontou por quarenta dias o exército de Saul, rei de Israel. A moral do rei, do seu exército e da nação israelita estava baixíssima. O jovem Davi, enviado por seu pai Jessé para levar comida para seus irmãos mais velhos e para presentear o rei no front da batalha, apareceu na hora certa quando o gigante trovejava suas ameaças e seu desafio. D-us age nos pequenos detalhes e no cotidiano da vida.

- As cinco pedras são simbólicas e essenciais aos governantes de hoje que, como Davi, enfrentam inimigos gigantescos e poderosos que oprimem nosso povo. Os Golias de hoje são mais poderosos e sofisticados pois penetram sorrateiramente nas estruturas do Estado e dos poderes tornando-as servas da corrupção e do iníquo status quo que vitima milhões de brasileiros, desviando-as assim de suas funções básicas de servas do povo. E mais: não atacam diretamente, mas ardilosamente semeiam o mal social e sistêmico.

- Para o nosso Davi, a Presidente Dilma e, de resto para todos nós, as lições da famosa página bíblica são essenciais na crise política que atravessamos que mina ainda mais a confiança do povo nos seus líderes e aumenta o déficit de esperança que domina o mundo. O capítulo 17 do livro de I Samuel narra o embate atualíssimo. Reflitamos sobre ele.

I. A REJEIÇÃO DA ARMADURA DE SAUL – Vrs. 38 e 39

1. São as armas das elites dominantes – Esta foi à primeira atitude de Davi quando se dispôs a enfrentar Golias. Experimentou a armadura de Saul e suas armas, mas as rejeitou porque não lhe davam equilíbrio para a batalha. As armas das elites dominantes são inadequadas para enfrentar o mal porque estão a serviço do status quo. São pesadas demais e deixariam nosso herói imobilizado. Por isso ele a lançou fora e enfrentou o Gigante de peito aberto com as armas de sua origem de pastor de ovelhas. Não teria sido esse o erro fundamental do nosso presidente...??? Como um Davi diante dos Golias que nos oprimem optou pela armadura de Saul, isto é, a bajulação e a mordomia do poder, o compromisso com as classes dominantes e com os Golias econômicos internacionais que nos sugam a riqueza e energias...??? Não teria ele se esquecido de sua origem humilde e das armas que D-us, através do povo, colocou à sua disposição...??? Não seria esse o momento de jogar a armadura inadequada fora...???

2. “Não posso andar com isto...”, disse Davi. A leveza é fundamental a um governante que não pode ficar preso pelas estruturas viciadas de poder. Para vinho novo, odres novos, recomenda Jesus. A oportunidade histórica de transformação do Brasil está sendo perdida porque nosso Davi “não pode andar e governar com isto...”

3. “E Davi tirou aquilo de sobre si” – É preciso coragem para tomar tal decisão, mas absolutamente necessário para enfrentar o mal estruturado na máquina pública e na sociedade. Milhões de brasileiros estão esperando isso do homem que quer honrar sua biografia. Certamente, assim como Davi, não ficará sozinho no gesto corajoso.

II. AS ARMAS DE DAVI – v. 40

1. Seu cajado de pastor de ovelhas, símbolo de amor e proteção do seu rebanho contra os inimigos e perigos mil. Foi inspirado nele que o poeta e músico Davi produziu o Salmo 23, o mais amado dos salmos cujo verso inicial proclama: “O Senhor é o meu pastor e nada me faltará.” O cajado do pastor tem implicações políticas detectadas por Jesus que contemplava “as multidões, famintas e exaustas, como ovelhas que não têm pastor.” Há crise de líderes políticos que coloquem como prioridade essencial o bem comum e não os interesses de grupos privilegiados.

2. Cinco pedras lisas do ribeiro... São pedras lisas, perfeitas, e limpas porque lavadas nas águas puras do ribeiro. Pedras éticas. Sem elas Golias triunfaria. E bastou uma delas para derrotar o temível inimigo. Isso faz-nos lembrar da declaração paulina de que “a nossa luta não é contra a carne e o sangue (as pessoas), mas contra os principados e potestades...” A luta é contra as forças do mal que se infiltram nas instituições humanas criadas para estarem a serviço do povo. O Brasil clama por ética na política, na religião, nas estruturas de poder e na sociedade. Só assim uma sociedade mais justa e mais fraterna surgirá no meio de tanta violência, injustiça e corrupção. Os partidos políticos devem estar a serviço do povo em busca permanente de projetos de reconstrução nacional, e não simplesmente em busca do poder pelo poder (vaidade), do poder para se servir (corrupção), ou do poder para dominar (opressão).

3. Sua funda – E como Davi a dominava bem...!!!... Era sua arma de uso diário. Treinou durante anos a pontaria e, na hora certa, acertou o único ponto vulnerável do gigante. Atirou a pedra certeiramente na testa de Golias e o abateu. E mais: ele toma a iniciativa do ataque e, de longe, atira a pedra. Não precisamos nos apegar ao mal para combatê-lo. A estratégia correta é atacá-lo de longe sem se sujar com ele. Ah, Davi do Planalto, corte o mal em sua própria carne, levante-se e ataque sem medo o gigantesco mal que ameaça o Brasil e seu governo...!!!... Use sua funda simples e humilde que tanto nos encantou, e ataque de longe com a pedra certeira...!!!... Tome esta decisão rapidamente na hora certa para que não haja vácuo político. Não tomar decisão é pior do que tomar decisão errada. O pecado da omissão não faz parte da biografia dos grandes líderes.

4. A espada de Golias – O inimigo abatido, é hora do golpe fatal. O pequeno Davi apossa-se da espada do gigante e, num golpe de mestre, degola-o e exibe sua cabeça desmoralizando seus inimigos e trazendo a moral de volta ao exército de Saul e ao povo de D-us. Tal fato foi registrado didaticamente para servir de orientação aos governantes de todas as épocas e lugares. Está escrito que o Messias, o descendente da mulher, pisaria na cabeça da serpente, o que foi feito por Jesus Cristo na sua ressurreição. Ele matou a morte. Sonhamos com isso: um golpe mortal no mal social, religioso, econômico e político. Nas forças que produzem a morte. O golpe é do líder certo na hora certa, mas a derrota do mal exige a participação de todos. Assim foi no passado quando o exército de Israel desbaratou o exército dos filisteus. E assim desejamos agora neste momento triste de nossa história republicana quando o medo quer derrotar a esperança.

III. AS CINCO PEDRAS DE DAVI

1. A fé – Eis o nome da primeira pedra, a que venceu o que parecia invencível. Sem fé é impossível agradar a D-us, e são suas funções vê o invisível, tolerar o intolerável e vencer o invencível. A fé nos faz pensar positivamente como Davi. Pela fé, disse ele a Saul, derrotou um leão e um urso que ameaçaram seu rebanho. E foi esta fé praticada que fê-lo, em nome de Javé, enfrentar sem medo a Golias. A fé faz de nós instrumentos de D-us. E homens e mulheres são métodos de D-us para transformação do mundo. A fé nos dá a ousadia de Davi resumidas nestas palavras sagradas: “E assim prevaleceu Davi contra Golias, como uma funda e uma pedra.” Foi esta fé indômita que fê-la vencer as pressões do ridículo e do menosprezo. A primeira vinda de seu irmão mais velho, Eliabe, e a segunda do orgulhoso gigante que prometia destroçá-lo. Fé, Presidente, nas decisões precisas e certeiras.

2. A sensibilidade – Davi era o “homem segundo o coração de D-us”, não por ser perfeito, mas por causa de sua sensibilidade. Era sensível para reconhecer e corrigir seus erros, humilde diante das afrontas, poeta e artista. Em suma, um homem de uma sensibilidade extraordinária. E sensibilidade é fundamental para captar as injustiças gritantes de nossa sociedade. A insensibilidade social e moral foi à causa da destruição de Sodoma. O profeta Ezequiel assim a define: “Eis que esta foi à iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade tiveram ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado.” Esta é também a opinião do professor e filósofo Renato Janine Ribeiro, da USP, sobre a corrupção no Brasil: “Minha tese é que a insensibilidade ao sofrimento dos mais pobres, laboriosamente construída ao longo de cinco séculos, é o caldo de cultura para a corrupção. O desdém pela pobreza nos torna uma sociedade viciada. Como valores éticos poderão vicejar nesse terreno...???” Como combater a corrupção que é uma doença social numa sociedade iníqua e num país com gritante iniquidade social...??? Essa seria a bandeira do Partido dos Trabalhadores no poder. A opção pelo continuísmo econômico concentrador agrava a insensibilidade social e promove a corrupção. A reversão de prioridades daria chances ao nosso presidente de se reeleger e fazer um segundo mandato de governo transformador.

3. A verdade – Davi era um homem puro, íntegro e verdadeiro. A verdade é pedra fundamental no combate ao mal. Por isso, na Armadura de D-us, o Apóstolo Paulo a chama de “cinto da verdade”. Sem ela as calças caem. É ela que dá equilíbrio a um governo e à vida. “Nada podemos contra a verdade senão pela verdade”, insiste o apóstolo. E Jesus afirmou: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” E Ele a encarnou plenamente. Por isso disse: “Eu sou a verdade.” Como seria bom se a verdade reinasse soberana na política. Onde ela se encontra no atual momento...??? É por isso que há tanta investigação para descobri-la: CPIs, inquéritos, PF, Ministério Público, mídia, etc. Há muitas verdades, mas só a verdade cristalina para além de interesses mesquinhos, é pedra contra o mal e pela vida.

4. A esperança – Sem ela não se vive. Na batalha histórica contra os filisteus, o desespero tomou conta do exército de Israel, do rei e toda a nação. Davi foi o portador da pedra da esperança. Ele fez o seu povo sonhar de novo com a nacente monarquia. Esta foi à mensagem da última campanha presidencial do PT: A esperança venceu o medo. Mas o déficit de esperança aumentou no Brasil e no mundo. O descrédito nos líderes políticos é tanto que as generalizações tomam conta do povo bem informado. Mais tarde chegará às classes mais humildes e desenfornadas. Antes que isso aconteça fatos e decisões portadores de esperança precisam acontecer para que ela não morra. É preciso sonhar com um país melhor e mais humano. A esperança é a âncora da alma. Como viver sem ela...???

5. O amor – Eis a última e essencial pedra. É ela quem dá sentido a tudo. Sem o amor não se comunica nada, não se constrói nada, porque sem ele não há solidariedade humana. A nova humanidade em Cristo, que a igreja deve ser maqueta neste mundo, é uma humanidade solidária e amorosa. Quando os que acumulam para si riquezas compreenderão isso...??? Quando deixaremos de lado uma economia sem coração baseada no egoísmo e na ganância, e construiremos outra baseada na solidariedade e no amor...??? O pontapé inicial precisa ser dado através de um projeto de governo que resgate a dignidade nacional. As igrejas de Jesus Cristo precisam viver profeticamente o amor e a realidade do novo mandamento. “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” Aqui está o embrião de uma nova humanidade. Que sejamos agentes transformadores da história e não reprodutores das estruturas do mal que vigoram no mundo. Está escrito: “Sem profecia o povo se corrompe.” E o Apóstolo João escreveu: “No amor não existe medo; antes o verdadeiro amor lança fora o medo.” É tempo de coragem amorosa e construtiva...!!!...

CONCLUSÃO:

- Alguém afirmou que no Brasil “as elites dominantes domesticam as elites emergentes.” Davi ensina que as armas das elites não nos dão equilíbrio e são inadequadas para a batalha contra o mal...

- Ele usou as armas simples e eficientes de suas origens: seu cajado..., as cinco pedras do ribeiro... e sua funda.... e deu o golpe final com a espada do inimigo.

- As cinco pedras têm a mesma qualidade – lisas do ribeira -, portanto, são iguais e em cada uma está a fé que vence o invencível, a sensibilidade social e humana, a verdade sem a qual não temos forças para lutar, a esperança que é a âncora da alma, e o amor onde não existe medo... Em suma, as cinco pedras são uma pedra só: JESUS CRISTO, A ROCHA ETERNA DAS NAÇÕES...!!!...

- Que nosso Davi, a Presidente Dilma, possa se arrepender de ter usado as armas de Saul (elites), de ter se afastado dos valores de sua origem humilde, e possa apropriar-se das pedras éticas capazes de derrotar os Golias que nos oprimem... Aliás foi o rei Davi quem disse: “Feliz é o povo a que assim sucede...!!! Feliz é a nação cujo D-us é o Senhor...!!!” Que D-us, o Senhor da história, nos ilumine nesta hora de crise para que não percamos a oportunidade de passar a limpo o Brasil.

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