sexta-feira, 28 de agosto de 2015

PSICÓLOGA COM DEFICIÊNCIA VISUAL TRABALHA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NAS ESCOLAS DO MUNICÍPIO...


Driblar os desafios da deficiência e diminuir a fronteira das limitações através do conhecimento: Esta é a história de Amanda Silva de Almeida, uma jovem de 27 anos que trabalha dando aulas de braile para deficientes visuais em cinco escolas do município. Nascida em Monjolos, cidade do norte de Minas, Amanda convive com a deficiência visual desde o parto. Aluna dedicada e comunicativa, ela viveu no interior até a conclusão do 2º grau até que, no ano de 2009, mudou-se sozinha para Sete Lagoas no objetivo de realizar seu maior sonho: formar-se em Psicologia.


Chegando a Sete Lagoas, Amanda se deparou com um universo muito diferente da cidade de 2.360 habitantes em que foi criada. Ela lembra que sem a ajuda da mãe, os desafios tornaram-se ainda maiores e foi preciso ter muita determinação para superá-los: “Monjolos era uma cidade muito pequena e lá todas as pessoas se conheciam. Quando cheguei sozinha em uma cidade muito maior e sem meus familiares por perto, tive que perder o medo e aprender a andar pelos lugares como qualquer pessoa que enxerga faz”, destaca. Pouco depois, sua mãe e irmã vieram morar em Sete Lagoas, o que foi um fator determinante para o aumento de sua confiança e autonomia.


Ao ingressar no curso de Psicologia, a jovem precisou lidar com dificuldades quem iam desde a infraestrutura da instituição até a forma como as atividades eram aplicadas. A maior parte das despesas foi bancada pela própria aluna, que reforça a diferença entre ela e os demais universitários no processo de estudo: “Na Faculdade, não havia adaptação para receber deficientes visuais e eu tive que me virar como podia. Lembro que eu pegava a xérox no mesmo lugar que as outras pessoas, elas se sentavam no banco, começavam a ler e no meu caso eu tinha que pagar alguém para poder gravar e, então, estudar". No entanto, nenhum obstáculo fez com que Amanda desistisse de seu objetivo e, no primeiro semestre deste ano, ela conseguiu concluir sua graduação: “A faculdade foi um grande desafio para o meu crescimento e eu encarei desta forma até o fim, sem me deixar abater. Penso que se eu quero, eu posso e consigo. A partir do momento em que tenho estas três afirmativas na mente, isso me motiva a alcançar qualquer objetivo”, pontua.

Motivada pela vontade de compartilhar seu conhecimento com aqueles que conviviam com as mesmas limitações, Amanda começou a trabalhar como voluntária na Escola Municipal Dalva Ferreira Diniz e a Secretaria Municipal de Educação, ao tomar conhecimento do trabalho desenvolvido por ela, decidiu contratá-la no ano de 2011 para lecionar nas salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE) das escolas do município. Sobre o trabalho que desenvolve, Amanda alerta a respeito da necessidade de levar para a sala de aula não só o aprendizado, mas também estratégias que minimizem as limitações dos alunos: “Além do letramento e do aprendizado escolar, a autonomia das crianças precisa ser desenvolvida. Nas escolas em que leciono, tento trabalhar constantemente essa parte de motivação, mostrando que podemos sim ter algumas inseguranças, mas que viver com medo só nos impede de acabar com os obstáculos”, ressalta.

Com sua história de superação, a jovem tenta levar estas discussões para o ambiente familiar das crianças, conversando com os pais sobre a importância de criá-los com a independência necessária ao crescimento pessoal: “A superproteção atrapalha a autoconfiança da criança e eu sempre peço aos pais que eles entendam como o deficiente visual é capaz de viver uma vida normal. Tento mostrar, através de cada evolução no aprendizado dos meus alunos, que a gente vive uma história continua de desenvolvimento e com o tempo, tendemos a nos tornar cada vez mais independentes. Assim como foi comigo, a segurança dessas crianças será construída dia após dia”, afirma.

Através do seu trabalho, Amanda sente-se na necessidade de ser um exemplo para os deficientes visuais e espera que sua história possa empoderar as outras pessoas: “Por mais que a gente viva em uma sociedade que não é exatamente preparada para a pessoa com deficiência, não vale a pena desistir. Se tivermos foco, como eu tive ao decidir trabalhar com a educação inclusiva, fica mais fácil mostrar ao mundo que estamos prontos para conquistar o nosso espaço”. Por isso, ela incentiva as pessoas a ‘enxergarem’ para além dos preconceitos e a lutarem pelo que desejam: “Se eu puder dizer algo para alguém, diria para que não fiquem trancafiados em casa, valorizando apenas os problemas e achando que a vida acabou. Tem que dar a volta por cima e ir à luta”, finaliza.

Comunicação/Prefeitura Municipal de Sete Lagoas

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