Driblar
os desafios da deficiência e diminuir a fronteira das limitações através do
conhecimento: Esta é a história de Amanda Silva de Almeida, uma jovem de 27
anos que trabalha dando aulas de braile para deficientes visuais em cinco
escolas do município. Nascida em Monjolos, cidade do norte de Minas, Amanda
convive com a deficiência visual desde o parto. Aluna dedicada e comunicativa,
ela viveu no interior até a conclusão do 2º grau até que, no ano de 2009,
mudou-se sozinha para Sete Lagoas no objetivo de realizar seu maior sonho:
formar-se em Psicologia.
Chegando
a Sete Lagoas, Amanda se deparou com um universo muito diferente da cidade de
2.360 habitantes em que foi criada. Ela lembra que sem a ajuda da mãe, os
desafios tornaram-se ainda maiores e foi preciso ter muita determinação para
superá-los: “Monjolos era uma cidade muito pequena e lá todas as pessoas se
conheciam. Quando cheguei sozinha em uma cidade muito maior e sem meus
familiares por perto, tive que perder o medo e aprender a andar pelos lugares
como qualquer pessoa que enxerga faz”, destaca. Pouco depois, sua mãe e irmã
vieram morar em Sete Lagoas, o que foi um fator determinante para o aumento de
sua confiança e autonomia.
Ao
ingressar no curso de Psicologia, a jovem precisou lidar com dificuldades quem
iam desde a infraestrutura da instituição até a forma como as atividades eram
aplicadas. A maior parte das despesas foi bancada pela própria aluna, que
reforça a diferença entre ela e os demais universitários no processo de estudo:
“Na Faculdade, não havia adaptação para receber deficientes visuais e eu tive
que me virar como podia. Lembro que eu pegava a xérox no mesmo lugar que as
outras pessoas, elas se sentavam no banco, começavam a ler e no meu caso eu
tinha que pagar alguém para poder gravar e, então, estudar". No entanto,
nenhum obstáculo fez com que Amanda desistisse de seu objetivo e, no primeiro
semestre deste ano, ela conseguiu concluir sua graduação: “A faculdade foi um
grande desafio para o meu crescimento e eu encarei desta forma até o fim, sem
me deixar abater. Penso que se eu quero, eu posso e consigo. A partir do
momento em que tenho estas três afirmativas na mente, isso me motiva a alcançar
qualquer objetivo”, pontua.
Motivada
pela vontade de compartilhar seu conhecimento com aqueles que conviviam com as
mesmas limitações, Amanda começou a trabalhar como voluntária na Escola
Municipal Dalva Ferreira Diniz e a Secretaria Municipal de Educação, ao tomar
conhecimento do trabalho desenvolvido por ela, decidiu contratá-la no ano de
2011 para lecionar nas salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE) das
escolas do município. Sobre o trabalho que desenvolve, Amanda alerta a respeito
da necessidade de levar para a sala de aula não só o aprendizado, mas também
estratégias que minimizem as limitações dos alunos: “Além do letramento e do
aprendizado escolar, a autonomia das crianças precisa ser desenvolvida. Nas
escolas em que leciono, tento trabalhar constantemente essa parte de motivação,
mostrando que podemos sim ter algumas inseguranças, mas que viver com medo só
nos impede de acabar com os obstáculos”, ressalta.
Com
sua história de superação, a jovem tenta levar estas discussões para o ambiente
familiar das crianças, conversando com os pais sobre a importância de criá-los
com a independência necessária ao crescimento pessoal: “A superproteção
atrapalha a autoconfiança da criança e eu sempre peço aos pais que eles
entendam como o deficiente visual é capaz de viver uma vida normal. Tento
mostrar, através de cada evolução no aprendizado dos meus alunos, que a gente
vive uma história continua de desenvolvimento e com o tempo, tendemos a nos
tornar cada vez mais independentes. Assim como foi comigo, a segurança dessas
crianças será construída dia após dia”, afirma.
Através
do seu trabalho, Amanda sente-se na necessidade de ser um exemplo para os
deficientes visuais e espera que sua história possa empoderar as outras
pessoas: “Por mais que a gente viva em uma sociedade que não é exatamente
preparada para a pessoa com deficiência, não vale a pena desistir. Se tivermos
foco, como eu tive ao decidir trabalhar com a educação inclusiva, fica mais
fácil mostrar ao mundo que estamos prontos para conquistar o nosso espaço”. Por
isso, ela incentiva as pessoas a ‘enxergarem’ para além dos preconceitos e a
lutarem pelo que desejam: “Se eu puder dizer algo para alguém, diria para que
não fiquem trancafiados em casa, valorizando apenas os problemas e achando que
a vida acabou. Tem que dar a volta por cima e ir à luta”, finaliza.

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