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| Reunião Ordinária 10/05/11 Foto: Ronald Batista |
A presença do Coordenador Geral do SAMU na Câmara Municipal durante a última Reunião Ordinária, na terça-feira (10), não demonstrou a possibilidade de que haja qualquer avanço significativo no atendimento à população carente deste serviço.
O senhor Ivan Lúcio França, compareceu aquela casa atendendo a um requerimento do vereador Marcelo Cooperseltta, para prestar esclarecimentos diversos referentes ao atendimento do SAMU, em Sete Lagoas.
Diferente do esperado por muitos, o que se viu foi a amenização do problema e comum troca de responsabilidades, “ninguém quer ficar com a batata quente”. Além de uma grande união, por parte dos edis que exercem a medicina, para muitas vezes fortalecer a ideia de que o colega médico, embora seja o Coordenador Geral do SAMU não seja responsável por tudo o que envolve o mesmo, atribuindo portanto a maioria dos problemas da instituição ao então Secretário de Saúde, Jorge Corrêa Neto.
Embora outros vereadores tenham feito posse da palavra e questionado alguns aspectos ao Sr. Ivan Lúcio França, Marcelo Cooperseltta, autor do requerimento, foi o responsável pela maioria das perguntas. A reunião chegou a ter picos de descontrole e conflito entre o vereador e o coordenador, Cooperseltta afirmou haver incompetência no SAMU e Ivan Lúcio França chamou o edil de mentiroso, pois quem falta com a verdade, mente.
Ao assumir a palavra, o senhor Ivan Lúcio França explicou que o SAMU foi criado objetivando a diminuição da mortalidade em urgências médicas. E que três princípios básicos devem reger a instituição.
São eles:
Telemedicina: Em que o atendente / médico regulador tem por obrigação fazer perguntas e se certificar de que o solicitante está próximo ao paciente, pois isso será de suma importância para a deflagração do Suporte Básico de Vida. O médico regulador também precisa discernir os casos que necessitam de remoção em ambulância do serviço SAMU. Pois não há como atender todos os chamados.
Gravações das ligações: Este é um importante princípio, o registro é necessário para que o Coordenador possa avaliar a eficiência do atendimento feito pelos reguladores. Bem como serve como documento comprobatório da qualidade ou não do atendimento.
O terceiro princípio é o Transporte Sanitário Eficaz.
Marcelo Cooperseltta, questionou Ivan, pois para ele, após avaliar e receber diversas reclamações da população em seu gabinete, o grande problema do SAMU são os reguladores, e os critérios para a liberação ou não de algumas viaturas. Quanto aos princípios básicos apresentados pelo Coordenador, o vereador afirmou que nenhum deles funciona. Lembrou ainda que a Ouvidoria da Saúde têm registro de inúmeras reclamações do SAMU, mas que a maioria dão conta do não envio de viaturas. De posse da palavra, Marcelo fez ainda diversos outros questionamentos: “Não há critérios ou normas para a liberação das viaturas. 1- Temos informações de que há reguladores que liberam o transporte até mesmo para unidades privadas, outros somente permitem o encaminhamento para o Hospital Municipal. 2- O sistema telefônico não funciona de forma a atender a população, quando chove, as linhas simplesmente se tornam inoperantes. 3- Quantas viaturas nós temos? Desde Novembro de 2010 a cidade foi beneficiada com duas viaturas, mas até hoje elas se quer foram emplacadas. 4- Quanto ao veículo Blazer, comprado recentemente. Qual a finalidade de um carro tão caro sendo que o mesmo não possui equipamentos para atender a população? O carro tem ar condicionado, airbag, e é bastante luxuoso, mas foi necessário que a compra de uma sirene fosse feita por um médico?” Perguntou Marcelo Cooperseltta.
Após os questionamentos, o Coordenador do SAMU se mostrou muito tranquilo em suas afirmações. Quanto a telemedicina, disse que o princípio funciona muito bem. Embora as reclamações proponham o contrário. Mas quanto as gravações das ligações, o que serviria para medir o funcionamento ou não da telemedicina, Ivan Luiz explicou que desde o início de 2010, tal responsabilidade passou para o município e que as gravações de fato não são feitas. Ele também pontuou o mal funcionamento do sistema telefônico. “Quando o secretário Jorge Corrêa tomou posse em fevereiro de 2010, ele convocou o pessoal responsável para sanar os problemas telefônicos. Entretanto, a TI não se posicionou e o processo não evoluiu. Em maio de 2010 ele encaminhou um ofício pedindo a regularização do sistema de gravação, repetindo o pedido em agosto do mesmo ano. Mas até então o pedido não foi atendido. Com isso, o SAMU permanece sem poder avaliar e controlar os serviços, além de perder uma importante ferramenta legal.”
Referente ao Sistema Sanitário, Ivan Lúcio França novamente atribuiu a responsabilidade a Secretaria Municipal de Saúde, “O SAMU não tem transporte sanitário. O ideal seria que tivesse, mas não tem. Isto é uma responsabilidade da secretaria. O chefe do transporte sanitário me solicitou que não fornecesse o telefone para a população, pois não há como atender. Minha sugestão para sanar este problema é a criação de transporte sanitário diurno e noturno, por parte da Secretaria Municipal de Saúde.“ Disse.
Ivan Lúcio França chegou a ler alguns documentos em que solicitava solução para os problemas do SAMU em Sete Lagoas, e afirmou não ter recebido qualquer resposta. “Em 10 de agosto de 2010 solicitei ao secretário de Saúde que providenciasse em caráter de urgência a solução para os principais problemas apresentados hoje. Neste ofício informei que o sistema de gravação das ligações não funcionava há mais de três meses. Informei também que o contrato de manutenção de telefonia havia sido rompido pelo Ministério da Saúde e que a partir de então era de responsabilidade do município. Afirmei o risco de que com a chegada do período de chuva, o atendimento seria prejudicado, pois havia falta de nobreak. Mas até o momento, não recebi nenhum relatório ou resposta.” Apresentando o documento, Ivan Lúcio demonstrou ter feito o que era de sua responsabilidade. A partir de então, ficou claro para os presentes que havia grande necessidade da presença do Secretário de Saúde, Jorge Corrêa Neto na mesma reunião.
Não havendo resposta ou solução para os problemas já apresentados. A reunião tomou outros moldes e o alvo dos questionamentos passou a ser as viaturas, equipamentos e condições de trabalho.
Não ficou muito claro, durante a reunião a quantidade de viaturas disponíveis para o SAMU, mas segundo o coordenador, atualmente a cidade conta com três viaturas e uma ambulância especial.
Sobre as viaturas novas, Ivan afirmou que as mesmas estão paradas por motivos de documentação e burocracias do Ministério da Saúde. Marcelo Cooperseltta lembrou que na mesma data o Corpo de Bombeiros da cidade também foi agraciado com novo veículo e que lá, a viatura já atende à comunidade.
Quanto ao veículo Blazer recentemente comprado, Ivan Lúcio informou se tratar de VIR (Veículo de Internação Rápida) “Este veículo é para o transporte da equipe e pode ser usado para substituir a viatura de transporte quando ela está estragada, ou utilizada em outra ocorrência. Quanto a falta de equipamentos, isto não é problema. Pois os equipamentos mesmo não sendo fixos podem ser transportados, há espaço para isso.” Afirmou.
Viaturas amarradas com arame, falta de estrutura (ex: falta de bebedouros para funcionários), equipamentos estragados (ex: desfibriladores), veículos parados em oficina, etc. também foram pontuados por Cooperseltta. Após os questionamentos, o Coordenador do SAMU pediu que lhe sejam encaminhadas todas as reclamações que chegam à Câmara concernentes ao SAMU, pois, segundo ele, muitas destas reivindicações não era de seu conhecimento.
Na reunião, o coordenador do SAMU protestou a forma “irresponsável” com que o vereador Marcelo Cooperseltta tem conduzido suas reivindicações ao SAMU. Atribuindo ao Serviço de Atendimento Médico, obrigações que não tem. Marcelo em réplica afirmou que seu papel é de fiscalizar a incompetência e omissão do Executivo, da Secretaria de Saúde e da Coordenação do SAMU. Caio Dutra, então assumiu a palavra para lembrar que foi apontado com veemência na Câmara Municipal sobre o superfaturamento de equipamentos da saúde no município e que nada foi feito pelos vereadores a respeito. Portanto, para ele, discursos populistas não chegariam a lugar algum.
Após o bate boca, o clima de frustração pairou sobre os presentes. Ao se encerrar a reunião, pouco ou quase nada se apresentou a fim de melhorar o atendimento do SAMU. Como o coordenador não é o responsável pelas principais demandas, o óbvio era que se solicitasse a presença do Secretário de Saúde do Município, Jorge Corrêa Neto para então prestar os esclarecimentos cabíveis. Mas infelizmente, nenhum dos 13 vereadores de Sete Lagoas teve tal iniciativa. O que demonstra que a saúde do município, e o atendimento do SAMU continuarão no mesmo caminho.
Por: Samara Matias Batista